Julho 13, 2009...11:00 pm

I Wanna Rock!*

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A paternidade até hoje é pauta das mais discutidas. Tanto que acaba sobrando até pra quem nunca a reivindicou: o próprio diabo já recebeu o título. Mais sensatos citam os nomes de Chuck Berry e Little Richard. Seja quem for o pai, fato é que a prole rendeu muitos frutos: o que surgiu, nos anos 1950, com o nome de rock’n’roll sofreu modificações com o passar das décadas e deu origem a vários estilos. É em homenagem ao gênero musical que bateu o recorde de ressurreições – pelo menos uma vez por semana, ele é declarado morto por alguém – que, hoje, comemora-se o dia mundial do rock.

Para quem, por muito tempo, carregou a fama de ter feito pacto com o canhoto, ser corruptor da juventude e rebelde sem causa, a origem da comemoração é comportada até demais. Ela faz referência ao Live Aid, festival realizado em 13 de julho de 1985, simultaneamente na Filadélfia e em Londres, organizado pelo músico Bob Geldof.

O objetivo do evento que reuniu nomes como Black Sabbath, INXS, Mick Jagger, David Bowie, Queen, Judas Priest, Bob Dylan, Santana, The Who e Phil Collins era obter recursos para ajudar causas humanitárias no continente africano, principalmente o combate à fome na Etiópia. A missão foi bem sucedida: mais de 60 milhões de dólares foram arrecadados e doados.

Uma vez sabendo as causas do surgimento da data comemorativa, é impossível não atentar para o fato de que, durante a maior parte da sua existência, o ritmo não teve um dia especialmente dedicado a ele. Hoje, muitos questionam exatamente o contrário: há a data, mas será que ainda existe um rock a ser celebrado? As respostas se dividem em várias categorias que alcançam dois extremos: há quem insista que o rock bom ficou no passado e quem enxergue a “salvação” do gênero musical em cada nova banda que joga uma música na internet.

Especulações à parte, em um ponto a maioria parece concordar: não existe mais um rock a ser comemorado e isso, desde bem antes de 1985. Há rocks – isso mesmo, no plural -, que divergem quanto à melodia, ao jeito de cantar, aos trajes característicos, ao comportamento, ao discurso…

E o ritmo foi tão ramificado que é quase impossível encontrar alguém que se agrade com todos os estilos a que ele deu origem. Justamente por isso, desejar um feliz dia do rock é algo que soa forçado e um tanto quanto vazio. Melhor seria desejar um feliz dia com o seu rock, aquele que lhe faz querer rock’n’roll all nite, com ou sem party everyday.


*texto feito pro trampo.. confere lá: http://guiart.com.br/

1 Comentário

  • Realmente, essa paternidade ainda vai rolar por muito tempo, ainda que o mais certo seja que não houve um pai, mas vários para essa criança chamada “rock”. Lendo o que tu escreveste lembrei daquela velha história de 1954, quando um rapaz boa pinta do Mississippi gravou “That´s all right mama”, um branco dançando e cantando como um negro, que escândalo!Sabe, o rock passou por várias transformações, acho que em alguns momentos eu diria que ficou irreconhecível (como o Michael depois das plásticas, hahaah…brincadeira). O que sempre me chamou a atenção é esse espírito juvenil que nunca envelhece, desde o rock extremamente “rebuscado” (progressivo) com complexo desenvolvimento instrumental técnico até o rebelde “do it yourself”. No rock tem lugar pra todo mundo, por isso ele renasce e permanece vivo até que o matam de novo, e como num ciclo ele sempre irá resurgir enquanto houver um adolescente entediado redescobrindo um som “maravilhoso” seja nos vinis ou mp3 (mp4, mp5…) players.


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