Maio 30, 2009...1:25 am

E é só

Ir aos comentários

É mais de uma hora da manhã e eu tenho prova às 9hs. A útima coisa que eu devia estar fazendo era escrevendo aqui. Se fosse para desperdiçar meu tempo de sono ou estudo, até ver um filme ou desenhar seriam coisas mais úteis. Mas, bem, estou aqui – e é irremediável.

A sexta-feira foi chuvosa. E eu, que amanheci com a frase “dia azul e ela é infeliz”, fui logo obrigada a mudar de idéia quanto à primeira afirmação. Ainda penso a segunda.

Fui à igreja depois do trabalho. Fazia muito tempo sem isso. Mas não entrei – não sei mais se me atrevo a professar uma fé que não é minha.

Senti uma necessidade de olhar a chuva no CAN. Como se fosse fotografar, procurei cuidadosamente e durante um bom tempo o lugar certo, em pé nas escadarias da Basílica: aquele que me trouxesse a visão mais perfeita; aquela que eu queria guardar. Olhei demoradamente. Paisagem exótica de infância, de Círio de todo ano, de um aguardado de véspera que planeja tudo com cuidado de grandes coisas. E está ali o mesmo lugar, sem magia, sem encantamento, sob a chuva.

Um apertozinho no peito, uma vontade de sufocar.

Não sei porque, mas olhava com olhos de nunca mais. Súbito, o momento bastou-se. Necessitei-me de ir embora. Tomei caminho. Ladeei a praça, andei até em casa. Um frio que ia além da chuva, vontade de sentar em algum canto: todo o pranto tem hora. Mas percebi que já era tão tarde. Não a tardeza do relógio, mas a do tempo que não se volta. E a alma me subiu leve, como se nada mais adiantasse. A leveza daqueles que des-esperam: tudo é surpresa, tudo é acaso, tudo pode ser bem vindo.

No caminho, na Gentil, havia uma construção: a calçada interditada, andei pela beira da rua. Vi os faróis dos carros refletindo o molhado da chuva que engrossava. E a mágica, de novo – o encanto. Preciso, tanto.

Fiquei feliz de estar ali.

E a felicidade urgiu que escrevesse.

Agora, escrevi.

E é só.

1 Comentário


Deixe uma resposta