Janeiro 27, 2009...11:47 pm

Foi culpa da montagem

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O curioso caso de Benjamin Button é mais demorado que Zodíaco, mesmo tendo alguns minutos a menos.

Já tem uma semana que eu queria escrever alguma coisa sobre o novo filme de David Fincher. O FSM em Belém não vai me deixar escrever tanto e tão bem quanto eu gostaria, mas, se eu deixar para depois, sinto que vou acabar não escrevendo.

Um bom filme, mas não é pra tanto...

* * *

A presença de Brad Pitt no elenco me deixou um sentimento dúbio: por um lado, ele está muito bem como o curioso  homem que vive de trás pra frente (apenas por fora, como o próprio benjamin diz); por outro, foi provavelmente o fato de o filme ser estrelado pelo loirinho que me fez voltar pra casa com água na boca e não nos olhos na primeira tentativa de ver o filme no cinema. Os ingressos se esgotaram mais de uma hora antes da sessão. E adivinha: eu estava lá com apenas meia hora de antecedência.

Quando, enfim, consegui ver, alguns dias depois, acabei novamente sem a água. A dos olhos, chegou a ensaiar uma presença em algumas cenas, com destaque para a fábula inicial do Senhor Gateau; uma linda metáfora e provocação do sentido todo da obra. E não foi só nessa. Fincher soube, embora de forma irregular, trabalhar a emoção no filme.

Já a água da boca, essa sumiu de vez. Literalmente. Lá pelas duas horas de filme (que pareciam quase três): a sede. E, quando eu sinto sede no meio de um filme, mesmo sem ter comido nada que a possa ter provocado, é porque algo está errado; com o filme ou comigo. Como não sou psicanalista, prefiro ir pelo caminho do filme. Achei os enquadramentos  belíssimos, a fotografia muito boa, as atuações também e a edição, embora relativamente acelerada na maior parte do filme, não chegou a ser um problema.

Restava a montagem, feita em dois tempos contados paralelamente (Daisy no hospital/ história de Button). Aí estava o incômodo. As cenas mais desnecessárias estão no tempo  em que se passa a narrativa do filme (Daisy idosa no hospital pede para a filha ler o diário de Benjamin).

Não havia a necessidade de tantos diálogos entre um período e outro no tempo. Ou, se havia, Fincher não soube, ou não quis, comprová-la. A maior parte das cenas de Daisy no hospital é repetitiva e não acrescenta, apenas faz com que a longa extensão do filme vire sinônimo de demora e cansaço (relação nem sempre pertinente no cinema).

Talvez fosse melhor contar a narrativa dentro da narrativa (a história de benjamin) sem interrupções até onde fosse possível (o fim do diário). Apenas a partir daí a participação da idosa Mrs. Button seria realmente indispensável. O resto da presença dela poderia ser suprimido sem dó (não desmerecendo o excelente trabalho de Cate Blanchet).

Fincher optou por um filme bem explicado, sem muitas elipses, sem muito o que subtender. Muitos grandes filmes tem por objetivo apenas contar uma história. Mas esse Benjamin Button, além de contar, está muito preocupado em deixar para o público uma mensagem construída e muito pouco em deixar-se interpretar. Mas isso também pode não ser um problema, dependendo de como a obra seja conduzida.

Enfim. Após constatações e impressões, as minhas conclusões: engoli o filme a seco e foi culpa da montagem.

Assista e me conteste.

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