Para quem não reparou ainda, o Uninverso tem um quadro com vídeos na barra lateral da página. A proposta é trazer cenas clássicas do cinema que, nesta categoria, receberão um comentário especial.
Dando início ao “Vê aí, é rapidinho…”, está uma seqüência que, além de clássica, é famosíssima até mesmo entre os que não são fãs da sétima arte. Afinal, quem nunca cantou, viu, ou pelo menos ouviu o verso que intitula esse post?
O filme em questão foi um marco na história dos musicais e é até hoje o filme mais conhecido do gênero. Gene Kelly, o coreógrafo-ator, após haver trabalhado com gênios do estilo, como Vincente Minnelli, lança-se à direção e grava, em colaboração com Stanley Donen, “Cantando na Chuva”.
Dentre todas as cenas majestosamente coreografadas e filmadas, a escolhida para o nosso comentário foi a do solo do ator.
Don Lockwood, o personagem que se encarna em Gene Kelly, está feliz. Tudo parece estar indo tão bem que ele dispensa o carro e resolve voltar andando pra casa, mesmo com a chuva torrencial que começa a cair.
Aliás, a chuva é um dos elementos que fazem esse número tão especial. Os efeitos de som da cena, além de contar com a perfeita execução do sapateado, recebem o reforço do barulho de chuva caindo, e das poças que são alvo dos chutes e saltos do ator.
Entretanto, fazer um número musical na chuva não é tão fácil. Em seu livro “Singing in the rain”, o escritor Peter Wollen observa que a construção do cenário onde foi rodada a seqüência exigiu um complexo trabalho de engenharia, com iluminação especial e água colorida para tornar o temporal visível.
Além disso, a montagem de coreografia para o cinema exige uma percepção diferenciada da dança para os palcos. Afinal, aqui entra um elemento a mais: o observador não é mais estático como no teatro, mas se movimenta junto com a câmera. Ou melhor, em se tratando dessa seqüência, ele dança junto com ela.
E se dançar na chuva não for suficiente para notabilizar a dedicação e perfeccionismo de Gene Kelly, cabe acrescentar que o ator gravou a memorável seqüência enquanto ardia de febre – e sem demonstrar uma pista sequer disso. Afinal, quem estava lá era Don Lockwood. E Don Lockwood estava feliz. Muito feliz.
A música
Finalmente, após falar da dança, do cenário e do ator, não podemos esquecer do elemento imprescindível, sendo este um texto sobre um musical: a música.
“Singin’ in the rain” foi composta por Nacio Herb Brown e arranjada pelo filme por Roger Edens. A sua primeira aparição foi ainda em 1929, no “Hollywood Revue of 1929”, na voz de Cliff (Ukelele Ike) Edwards, acompanhado pelas Brox Sisters e pelo coro da MGM. Cliff Edwards ficou famoso como a voz de Jiminy Cricket, o grilo-falante do Pinóquio da Disney.
“Singing in the rain” ressurgiria no cinema décadas após o clássico de Gene Kelly em uma das seqüências mais perturbadoras do filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick.
Já a cena do astro dançando e cantando na chuva foi parodiada muitas vezes. Uma das homenagens mais conhecidas do público brasileiro é a do humorístico mexicano Chapolin. Outra, nem tão famosa assim, é o stop motion Frankenstein Punk, de Cao Hamburger e Eliana Fonseca.
Ficha Técnica:
Singin’ in the rain
EUA/1952
De: Gene Kelly e Staley Donen.
Com: Gene Kelly, Donald O´Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen, Milllard Mitchell, Cyd Charisse.
MGM
Musical/103 minutos.


2 Comentários
Outubro 27, 2008 às 1:29 am
Juliana, seu blog está sensacional!
Adorei o tema, e o estilo da postagem
Novembro 12, 2008 às 4:36 pm
um sentimento glorioso seria esse filme passar mais vezes na televisão. parábéns, adorei esse post, só não saio por aí cantarolando como Don Lockwood porque tenho propensão a pegar uma gripe daquelas, mas que dá vontade, dá!