Dando uma volta pelo blog, percebi o quanto fui injusta com filmes que fizeram a minha alegria esse ano. Afinal, nem só de Tarantino vive um cinéfilo! Então, resolvi listar outras excelentes produções que vi esse ano. Cada uma merecia um texto bem maior, mas, no momento não tem como. A ordem não é hierárquica e, sim, meramente temporal:
A Troca (Clint Eastwood): Mise-en-scene delicada e uma história soco na cara!
Gran Torino (Clint Eastwood): Provavelmente a despedida do mestre do lado da frente das câmeras. Filmes forte que me deu um aperto no peito, nó na garganta e me fez chorar horrores.
Inimigos Públicos (Michael Mann): O meu filme de amor e balas! Belas cenas de ação e diálogos em campo/contracampo mais belos ainda!
Amantes (James Gray): A subversão da lógica da comédia romântico. Uma câmera distante, suave e intensa.
Se você é, ou se diz, cinéfilo, faça um favor a si mesmo: assista Bastardos Inglórios no cinema (pelo menos, uma vez) e livre-se de um futuro de arrependimento!!!
É o máximo que eu consigo dizer (por enquanto) sobre esse filme que é a obra-prima do Tarantino (por enquanto?).
Voltaremos a ele.
* * *
Falando do cinema de kung-fu, assisti Era Uma Vez na China nesse fim de semana e recomendo pra todo mundo que ainda não viu. Estou tentando me aprofundar na obra do Tsui Hark e do John Woo, herdeiros do cinema de Chang Cheh e mestres da continuidade intensificada chinesa. Cinema porrada!
Estranhos. Não tenho substantivo melhor pra referir os caminhos que a memória traça no nosso inconsciente. Terça passada, na casa de um amigo, escutei algo que há pelo menos uns 3 anos não ouvia: The Strokes. Tive uma fase em que essa banda era uma trilha permanente na minha vida… Nem tanto por eu gostar, mas porque meu irmão mais velho era alucinado por ela – ele não é mais, graçadeus.
Escutando aquelas músicas me senti de volta a um passado tão distante: de um 1º ano do ensino médio, calças rasgadas, camisas de banda de rock, paredes de quarto riscadas e preocupação nenhuma na vida. Deixaria de ouvir bandinhas do tipo alguns anos depois. Acharia meus caminhos em outros estilos.
E aí chega o que é o mais esquisito disso tudo: Strokes me parece muito mais velho do que coisas como Nick Drake e Tom Waits, pelo simples motivo de que as descobri depois… Até o Blind Lemon Jefferson que cantava quando meus pais nem sonhavam em nascer, pra mim, parece ser mais atual do que essa banda dos meus 15 anos. Vai entender…
Prometi continuar a sequência sobre o cinema de Chang Cheh, mas até agora nada. Não é que eu seja uma pessoa má e desonesta que descumpre aquilo que promete. Tudo se resume a três míseras letras: TCC. Como eu já disse, me formo este ano e estou correndo para terminar o trabalho a tempo. Por isso, os posts tendem a se tornar mais escassos e mais curtos daqui pra frente… Mas eu prometo que esse não vai ser o terceiro blog que eu vou excluir (sim, houve dois antes desse)
arei para contar ontem e os que eu tenho em casa são exatamente 14. Somando alguns alugados, calculo que sejam 20. Modeus! Eu nunca vi 20 filmes de nenhum dos meus diretores preferidos – até porque alguns deles, na carreira inteira, não alcançaram essa marca. Chang Cheh chegou lá em menos de 5 anos. E, é claro, não parou aí – afinal, o cara era um dos maiores diretores da Shaw Brothers, simplesmente uma das maiores indústrias de entretenimento em termos mundiais! Dizem que o sonho dele era fazer 100 filmes. Não conseguiu o número redondo. Fontes afirmam que ele chegou perto; outras afirmam que ultrapassou. Na minha singela lista, só contabilizei 74, mas é óbvio que tem muitos mais perdidos por aí.
Fazia tempo que não me empolgava tanto com a filmografia de um único diretor. Acho que o último pra valer, que me fez ir além das locadoras e correr atrás de raridades nos torrents da vida, foi Werner Herzog. Por causa dele, comecei a estudar alemão. Aliás, isso é engraçado: o modo como a arte influencia as outras esferas da minha vida. Vejam só: agora, que me interessei por cinema chinês, comecei a fazer… tai chi chuan (vocês não achavam que era kung fu, né?). Enfim, o nome desse post é “Sobre como eu me viciei em filmes de kung fu” e eu ainda não respondi a pergunta.
Tudo começou com o meu projeto de TCC. Sim, me formo no fim do ano. Sim, o trabalho é sobre cinema. Não. É sobre cinema noir. Cansada de assistir filmes pra fins de análise e com um princípio de sentimento de aversão pelo cinema negro, resolvi ver algo bem diferente pra me distrair. E com o que eu me deparo?
“Um mestre do kung-fu encontra sua esposa assassinada e seu filho com os dois braços amputados por três desafiantes que invadiram sua casa em busca de vingança. Ele usa sua incrível habilidade no estilo de tigre para matá-los. Esse incidente o torna uma pessoa amarga e vingativa e, quando seu filho cresce, usando braços de metal, aprende seu poderoso estilo kung-fu. Juntamente com o filho, aleija a todos aqueles que o desagradam, deixando a cidade aterrorizada. Quatro de suas vítimas, um aleijado, um cego, um surdo-mudo e um lutador de kung-fu que ficou retardado resolvem reagir e, após três anos de treinamento, partem para uma incrível sucessão de combates”.
Essa é a sinopse do filme que meu irmão tinha acabado de alugar. Preparei a pipoca e o estômago pra rir até cair. Mas a surpresa: e não é que é um lindo filme? Sim, eu tinha acabado de entrar no mundo de Chang Cheh. Espero eu, pra nunca mais sair.
“Nas estradas que o mundo tem”, disse eu – em referência à canção. Mas me perguntaram quais são as estradas que o mundo tem. Se você tem um ponto de partida e um de chegada, mesmo que não saiba quais eles são, tem uma estrada. Logo, tudo nesse mundo é estrada. Resposta lógica: o mundo tem infinitas estradas. Mas isso é responder quantas estradas e não quais estradas tem o mundo. E eu volto à pergunta: Quais? Será possível delimitá-las em todos os seus tipos, quando nem mesmo sei das minhas? Classificá-las como insetos num quadro. Preciosidades de laboratórios de biologia. Estradas físicas, estradas temporais, estradas mentais. Acredito serem os grandes tipos, mas, dentro deles, milhares.
Quais as estradas que o mundo tem? Percorro retas no plano delimitadas por infinitos pontos. O ponto sabe do plano todo? Quão pequenino ele se sentiria se soubesse – é bom que te sintas pequeno para saberes o quanto realmente significas no universo. Velhos ensinamentos góticos. Sem valor. Quero mais é me saber grande. Grande como os homens podem ser, de grandes coisas e grandes atos. Grandeza. Mas falava de estradas no mundo e me perguntava quais… Ai, pessoa perdida que sou, me perco na estrada do texto – mais perdida na estrada da vida: inventei de achar pontos novos. Entre infinitos pontos num plano, quais as chances de escolher justamente aqueles que já foram escolhidos antes? Combinatória… Não, não lembro mais. Acho que meus pontos tem que ser meus e meus e meus e meus e meus. Serão 7 e chamá-los-ei J, U, L, I, A, N, A – por mero capricho meu. Quero uma estrada-anagrama-de-mim. Olhe só: não é que continuo uma desorientada? Me perdi de novo da pergunta…
(Sim, esso é o fim do post: nada conclusivo, dirão. Mas, que fazer? – a criatividade simplesmente acabou)
A paternidade até hoje é pauta das mais discutidas. Tanto que acaba sobrando até pra quem nunca a reivindicou: o próprio diabo já recebeu o título. Mais sensatos citam os nomes de Chuck Berry e Little Richard. Seja quem for o pai, fato é que a prole rendeu muitos frutos: o que surgiu, nos anos 1950, com o nome de rock’n’roll sofreu modificações com o passar das décadas e deu origem a vários estilos. É em homenagem ao gênero musical que bateu o recorde de ressurreições – pelo menos uma vez por semana, ele é declarado morto por alguém – que, hoje, comemora-se o dia mundial do rock.
Para quem, por muito tempo, carregou a fama de ter feito pacto com o canhoto, ser corruptor da juventude e rebelde sem causa, a origem da comemoração é comportada até demais. Ela faz referência ao Live Aid, festival realizado em 13 de julho de 1985, simultaneamente na Filadélfia e em Londres, organizado pelo músico Bob Geldof.
O objetivo do evento que reuniu nomes como Black Sabbath, INXS, Mick Jagger, David Bowie, Queen, Judas Priest, Bob Dylan, Santana, The Who e Phil Collins era obter recursos para ajudar causas humanitárias no continente africano, principalmente o combate à fome na Etiópia. A missão foi bem sucedida: mais de 60 milhões de dólares foram arrecadados e doados.
Uma vez sabendo as causas do surgimento da data comemorativa, é impossível não atentar para o fato de que, durante a maior parte da sua existência, o ritmo não teve um dia especialmente dedicado a ele. Hoje, muitos questionam exatamente o contrário: há a data, mas será que ainda existe um rock a ser celebrado? As respostas se dividem em várias categorias que alcançam dois extremos: há quem insista que o rock bom ficou no passado e quem enxergue a “salvação” do gênero musical em cada nova banda que joga uma música na internet.
Especulações à parte, em um ponto a maioria parece concordar: não existe mais um rock a ser comemorado e isso, desde bem antes de 1985. Há rocks – isso mesmo, no plural -, que divergem quanto à melodia, ao jeito de cantar, aos trajes característicos, ao comportamento, ao discurso…
E o ritmo foi tão ramificado que é quase impossível encontrar alguém que se agrade com todos os estilos a que ele deu origem. Justamente por isso, desejar um feliz dia do rock é algo que soa forçado e um tanto quanto vazio. Melhor seria desejar um feliz dia com o seu rock, aquele que lhe faz querer rock’n’roll all nite, com ou sem party everyday.
*texto feito pro trampo.. confere lá: http://guiart.com.br/
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Auto-retrato
"Uninverso" é um neologismo criado a partir da aglutinação de duas palavras (universo + inverso), cujo significado, ainda não explorado em toda sua abrangência metafísica, remete aos conceitos de cultismo e conceptismo muito caros à poesia maneirista de Gongora e Quevedo.
Ou, sendo mais exata, "uninverso" é uma palavra que eu inventei num dia que não tinha muito o que fazer cujo significado eu ainda não sei (se existe) e coloquei como título desse blog porque achei bonito.